sábado, 23 de dezembro de 2017

Poeta Antonio Costta lança "Os Pilares do Brasil - Poemas & Crônicas".

O poeta e escritor pilarense Antonio Costta acaba de publicar no site do Clube de Autores a coletânea "Os Pilares do Brasil - Poemas & Crônicas".
O livro é um verdadeiro corolário de exaltação poética e de informações históricas sobre os seis Pilares do Brasil: Pilar-PB, Pilar-AL, Pilar do Sul-SP, Pilar de Goiás-GO, Morro do Pilar-MG e Coronel Pilar-RS. Contendo 324 páginas, esse livro é o 16º publicado pelo escritor pilarense no referido site.
A obra é composta por textos de 17 escritores, cada qual exaltando os encantos de seu amado Pilar. São eles: José Augusto de Brito, Damião Ramos Cavalcanti, José Lins do Rego, Frutuoso Chaves, Antonio Costta, Riso Maria, Lucimário Augusto, Antonio Ramos, Sérgio Moraes, José Benjamim, Terezinha Aparecida Válio Corrêa, Jajá de Guaraciaba, Geni Alves dos Santos, Rogério Ferreira de Sousa, Ademar Lourenço da Silva, Donizete Ferreria de Sousa. Neusa Pivatto Müller e Raimundo Candido.

(Contracapa do livro)

O livro trás também um resumo histórico de cada município, com fotografias, inclusive, de seus principais pontos turísticos.
Parabéns a todos os poetas e cronistas desta singela e encantadora seleta!

(Capa do livro)


UNINDO OS PILARES DO BRASIL

Para unir os Pilares do Brasil
Reuni neste livro os escritores,
Os poetas, cronistas, prosadores,
Que enaltecem sua terra, mãe gentil.

Para unir os Pilares do Brasil,
Divulgar suas culturas, seus valores,
Reuni neste livro mil primores,
Declarações que o mundo inda não viu!

Prosopoemas plenos de emoção,
Cada escritor exaltando o seu chão,
Os encantos que tem o seu lugar...

No final o que restou foi um país,
Foi um só povo que ama e que é feliz!...
Que em seu peito tem paixão p’lo Pilar!

Antonio Costta




RESUMO BIOGRÁFICO 

           Antonio da Costa Silva (Antonio Costta) é poeta e artista plástico,  nasceu no Sítio Chã de Areia, município de Pilar, estado da Paraíba. Filho do agricultor Severino Honorato da Silva e da dona de casa Maria José da Costa Silva. É casado com Ivoneide Altino Costa, pai de três filhos: Alana Dias da Costa, Letícia Pillar Altino Costa e Antonio da Costa Silva Júnior. Em 1990 concluiu o ensino médio na cidade de Itabaiana/PB, onde começou a escrever seus primeiros poemas (aos 16 anos) e publicar no jornal A FOLHA, daquela cidade.
           Antonio Costta foi vereador, por dois mandatos, do município de Pilar/PB (1992 a 2000) e Secretário Adjunto de Cultura do município de Itabaiana/PB (2010 a 2012).
           O poeta é autor da letra do Hino Oficial de Pilar, de dois CDs de poesias recitadas e de dezesseis livros de poesias (incluindo coletâneas), todos disponíveis para venda no site do Club de Autores (www.clubedeautores.com.br). Em maio de 2012 Antonio recebeu o título de Cidadão Itabaianesne. Em fevereiro de 2015 tornou-se membro da Academia de Cordel do Vale do Paraíba. Em setembro de 2017 teve dez poemas de sua autoria musicados e lançados no cd “Cantemos a Nossa Terra”, pelo músico José Cosmo de Souza.
           Atualmente Antonio Costta exerce o cargo de Secretário Executivo de Cultura e Turismo do município de Pilar-PB.

Livros publicados:


Um Juntador de Palavras (2003),
Poesia Nordestina (2004),
Coletânea Poética (2009),
Chuva de Poesias (2011)
Lira dos Quarenta Anos (2012);
Poesia Cristã (2014),
O Poder do Amor (em co-autoria com quatro poetas estrangeiros (2014),
A Moça do Coreto (2014),
Poesia Comentada (2015)
Poesia Reunida (2016)
30 Sonetos de Amor e Outros Poemas Sentimentais (2016)
No Chão da Memória (2016)
Sonetos (2016)
Trovas e Pensamentos (2016)
​​​​​​​Pensamentos de um poeta (2017)

Os Pilares do Brasil – Poemas & Crônicas (2017)

O livro encontra-se a venda neste link:

domingo, 12 de novembro de 2017

FOTOS E POEMAS SOBRE PILAR (PB)




























O engenho de Zé Lins
não deixe de visitar,
onde a fumaça do boeiro
se expandia pelo ar
com o cheiro do melaço
nos tachos a cozinhar.
Venha ver a Casa Grande
onde agora se expande
a cultura de Pilar!

Poeta Antonio Costta


POEMAS PILARENSES



SEJA BEM VINDO À PILAR

Seja bem vindo à Pilar,
Terra pacata e querida,
Que tem muito o que contar
De sua história, sua vida,
— Muita curiosidade! —
Ela é a terceira cidade
Mais velha da Paraíba!

Seja bem vindo à Pilar,
Terra de valor profundo,
Sua história é singular,
Pois encanta todo mundo.
Na província era uma estrela,
Fez questão de conhecê-la
Até D. Pedro II!

Seja bem vindo à Pilar,
Terra de Zé Lins do Rego
Que contou a nossa história
Para o mundo ter apego.
Hoje aqui em seu Caminho
Receba nosso carinho,
Nosso amor, nosso aconchego!

Seja bem vindo à Pilar,
Terra de Manoel Xudu,
Um poeta repentista
Que cantava sem lundu,
Que tirava da cachola,
Ao dedilhar a viola,
O canto do uirapuru!

Seja bem vindo à Pilar,
Terra de Zé Augusto Brito,
Que foi cronista e poeta
Do soneto mais bonito;
Que escreveu coisas tão belas:
Pilar, Vidas Paralelas,
Que hoje habita no infinito.

Seja bem vindo à Pilar
De Damião Cavalcanti
E de Frutuoso Chaves,
Outro cronista brilhante;
Pilar da prosa e da rima
E de Frederico Lima,
Outro escritor importante!

Seja bem vindo à Pilar,
Terra de gran tradição,
Do cirandeiro Raminho,
De Del Pilar, artesão,
De quadrilha que encanta
E de Dona Odete que canta
Coco de roda, no chão!


Seja bem vindo à Pilar
Onde a música repousa
Nas cordas do violão
De José Cosmo de Souza.
Terra de mui estrelatos,
Pilar de Zezita Matos,

Atriz que brilha, que ousa!

Seja bem vindo à Pilar,
Onde a cultura acontece,
Lugar onde a poesia
Em cada canto floresce;
Musa formosa e dileta
Que presenteia o poeta
Co’ inspiração que merece!

Seja bem vindo à Pilar,
À nossa terra querida,
Que está de braços abertos
Pra lhe receber na lida;
Com sua gente hospitaleira,
Quem visita esta ribeira
Não quer mais sair na vida!

Antonio Costta
(Pilar – PB)

NO CHÃO DA SAUDADE
  
Prossigo sereno revendo a história
No vasto terreno do chão da memória.
Tão cheio de terra brincando no chão
De bola de gude, carrinho e pião.

Lá pego canário com meu alçapão,
Lá pesco piaba com meu jereré;
Facheio rolinha com meu lampião
E brinco de bola imitando Pelé!...

Lá faço brinquedos de tábua, de lata,
E sei tirar mel de abelha na mata!
Sou bem mais feliz — não posso negar...

Onde fica esse chão? em que tempo? espaço?
No chão da memória me perco e me acho...
— Chão da saudade da velha Pilar!...

Antonio Costta
Pilar (PB)


ÁGUAS DA POESIA

                                        À minha terra, Pilar.
Já procurei te esquecer,
Mudar de assunto, evitar,
Pra não estar te lembrando
Quando de amor vou falar.

Mas as águas da poesia,
Onde vivo a navegar,
São como as do Paraíba:
Têm que passar por Pilar!

Têm que passar sussurrando,
Têm que passar desejando,
Querendo te conquistar...

Mesmo quando, em desatino,
Numa enchente do destino,
Seguem soltas para o mar!

Antonio Costta
Pilar (PB)


O SABOR DA MINHA TERRA
  
Gosto de caldo de cana madura,
Gosto também de feijão com farinha;
Quem nunca comeu uma raspadura
Não sabe o sabor da minha terrinha!

Gosto de comer, com nambu e rolinha,
Inhame, batata, fava, macaxeira;
Quem nunca comeu picado na feira,
Não sabe o sabor da minha terrinha.

Buchada de bode? — deixa-me louco!
Quem nunca provou traíra de coco,
Mocotó de boi, pirão de galinha...

Não sabe o sabor, não sabe o segredo,
Da terra natal de Zé Lins do Rego...
— O grande sabor da minha terrinha!

Antonio Costta
Pilar (PB)


COMO POSSO ESQUECER A MINHA TERRA?

Como posso esquecer a minha terra
Que provoca dentro em mim tanto apego?
Meu torrão, meu lugar, meu aconchego...
Meu Pilar que tanta beleza encerra!

Como posso esquecer a minha terra
Que me dá tanto prazer quando chego,
Vendo o mundo rural de Lins do Rego
Que a rústica paisagem desenterra.

Como posso esquecer-me deste chão
Que revigora, em meu peito, o coração
E me faz decantá-lo, como meta...

Se for para esquecer, um só momento,
O torrão em que nasci — eu lamento —
Mas prefiro esquecer que sou poeta!

Antonio Costta
Pilar (PB)


PILAR, CIDADE MÃE
  
Se vocês não sabem
Agora eu vou contar
Que Pilar já foi grande
Pois até Campina Grande
Pertenceu a Pilar!

As suas terras se estendiam
No período colonial
De Cruz do Espírito Santo
Às divisas de Pombal!

Mas os anos foram passando
E seus filhos foram crescendo
E novas cidades foram
No seu solo aparecendo.

Pois Itabaiana e Gurinhém,
Caldas Brandão (o Cajá)
E Cruz do Espírito Santo
Todos pertenceram a Pilar.

Sem falar em Juripiranga,
A Serrinha popular,
E São Miguel de Taipú,
Terra do Itapuá.

E, por último, São José dos Ramos
Também quis se libertar;
E Pilar foi se tornando...
Somente a nossa Pilar!

Pilar nasceste grande
E teu amor sempre nos põe;
Pilar terra querida,
Pilar Cidade Mãe!

Antonio Costta
Pilar (PB)

  
VISITANDO MINHA TERRA

Vou depressa, vou depressa,
com vontade de chegar;
Visitar a minha terra,
A cidade do Pilar.

E como é bela a visão
que começo a contemplar;
o Alto da Conceição
E seu rio a lhe banhar.

O Museu, a praça, amigos
para a gente conversar;
A cidade é tão pequena,
mas é grande pra contar!

Tem lembranças amorosas
para a gente recordar;
tem histórias de heróis
que morreram a lutar!

Tem poetas, escritores,
conhecido nos confins;
Meu Pilar sente orgulho
de ser Terra de Zé Lins!

Vou depressa, vou depressa,
Com vontade de chegar;
Vou matar minha saudade
da cidade do Pilar!

Tô chegando, tô chegando,
pra rever o meu Pilar;
quem visita essa cidade
Tem vontade de ficar!

Antonio Costta
Pilar (PB)
  

MINHA PILAR, PARABÉNS!

Minha jóia, meu diamante,
A terra que a todo instante
Recordo na minha vida;
Em ti projeto a lembrança
Do meu tempo de criança
Na Chã de Areia querida!

Minha terra tão pequena
Quem dera neste poema
O meu amor expressar;
Num verso puro e sereno,
No meu cantar tão pequeno,
Quero pra sempre te amar!

Quem dera viver contigo
Nas asas do teu abrigo
Sem temer qual seja a sorte;
Muito mais feliz seria
Vivendo aqui todo dia,
Até chegar minha morte!

Que Deus te abençoe, minha terra,
Que reine a paz não a guerra
Neste pedaço de chão;
Que não apenas te enganem,
Mas que as pessoas te amem
De todo seu coração!

Que a Paraíba não pare,
Que o governo declare
Fazer-te bem mais notória;
Sem nenhum demagogismo
Desenvolver o turismo,
Porque Pilar é história!

Por José Lins que é da gente,
Manoel Xudú no repente,
Zé Augusto na poesia;
Minha Pilar tão formosa,
Eu te ofereço esta rosa...
Meus parabéns neste dia!

Pela bravura do povo,
Pelo sonhar com um novo
Tempo, melhor do que tens;
Pra o velho, o jovem e a criança,
Por não perder a esperança,
Minha Pilar... Parabéns!!!

Antonio Costta
Pilar (PB)


SALVE TERRA DO PILAR!


Salve terra do Pilar!
Salve palco de minh’ vida
Que no Vale do Paraíba
Tem história pra contar.

Salve terra do Pilar!
Torrão de valor profundo
Que até Pedro II
Fez questão de visitar.

Salve terra soberana
Quando teve em seu passado,
Pela várzea, espalhados,
Quarenta engenhos de cana!

Salve heróis da hombridade!
Que lutaram, sem temor,
Na Confederação do Equador
Em favor da liberdade.

Salve, Salve nossa gente!
Diogo Velho Cavalcanti,
Um político importante,
De três províncias, presidente.

Salve terra do Pilar!
De poetas, escritores,
Terra de tantos valores
Que agora eu vou contar.

Salve terra do Pilar!
De Zé Lins, o romancista,
De Chudu, o repentista,
Mestre do improvisar.

Salve terra do Pilar!
Meu torrão tão bonito.
Terra de Augusto Brito,
Um poeta singular.

Salve terra do Pilar!
De Damião Cavalcanti,
Outro poeta brilhante
Que valoriza o lugar.

Salve terra que a gente ama!
Terra de filhos tão gratos;
Terra de Zezita Matos,
Do teatro, a grande dama.

Salve, salve Dona Odete
Que canta coco de roda,
Sem ligar pra nova moda
Que o mundo lhe oferece.

Salve terra onde se encosta
A beleza do universo!
Que me inspira tantos versos

Onde assino: Antonio Costta.


EU SOU DA TERRA

Eu sou da terra da jaca,
Do inhame e da macaxeira;
Eu sou da terra da cana
Caiana que é de primeira!

Eu sou da terra da manga,
Do caju, da goiabeira;
Eu sou da terra do coco,
Do cajá, da pitombeira.

Eu sou da terra da fava,
Do feijão verde-ligeiro;
Do quiabo e do maxixe
Que bota até no terreiro!

Sou da terra da buchada,
Da tapioca e beiju,
Da terra de José Lins
E do poeta Xudu!

Eu sou da terra querida
De Damião Cavalcanti,
De Zé Augusto de Brito,
Outro poeta brilhante!

Eu sou da terra do verso,
Da terra da poesia,
Do poeta João Lourenço,
Também de Riso Maria.

Eu sou da terra de Lita
Que todo mundo recorda,
Eu sou da terra de Odete
Que canta Coco de Roda!

Eu sou da terra do Zé
Cosmo com seu violão;
Também de Jordânia Borges
Que canta nossa canção!

Eu sou da terra de Júlio
Com seu “Cavalo Marinho”,
Do artesão Seu Birico,
Do cirandeiro Raminho.

Eu sou da terra de Alceu
Com natureza bucólica;
Eu sou da terra de Lando,
Essa figura folclórica!

Eu sou da terra, do barro,
Eu sou de Chã de Areia;
Por essa terra me amarro...
Viva Pilar, minha aldeia!

Antonio Costta
Pilar (PB)


 CHIBATA PRETA

Quem é que não se lembra
De uma negra, Chibata,
Que morava na Estação
E cozinhava em uma lata?

Eu vinha de Chã de Areia,
Por Figueiredo passava,
E chegando na Estação
Chibata Preta encontrava!

Conhecida por Chibata,
Chibata, Chibata Preta,
A pobrezinha, coitada,
Não tinha posses nem letra!

Era uma pobre indigente
Que morava bem ao léu;
Tinha por cama - o chão,
E por cobertor - o céu!

Um amontoado de lixo
Na margem daquela rua;
Era a “casa” da Chibata
Iluminada pela lua...

E por que “Chibata Preta”,
Também queres entender?
N’era porque tinha uma chibata
Pra si mesma defender.

Era porque a pobrezinha,
Que cozinhava em uma lata,
Era magra e pretinha
Parecendo uma chibata!...
  
Era a Chibata Preta
Conhecida do Pilar
E também da região
Que vinha nos visitar.

Era o terror das crianças
Aquela negra Chibata,
Que morava na Estação
E cozinhava em uma lata!...

Mas um dia a pobrezinha
Partiu da nossa cidade;
Pois passava frio e fome,
Tamanha necessidade!

E Pilar ainda se lembra,
E alguns sentem saudade;
Daquela mulher pretinha...
Que partiu pra eternidade!

Antonio Costta
Pilar (PB)


 TROVAS PILARENSES
  
Eu sou filho do Pilar,
Meu torrão, meu aconchego;
Como amo este lugar,
Terra de Zé Lins do Rego!

Minha terra é pequenina,
Mas encanta o mundo inteiro,
Pois Pilar em prosa e rima
Honra o solo brasileiro!

De prazer minh’alma canta
Quando vejo o meu Pilar;
Saltam versos da garganta
Sem vontade de parar!...

Quem nunca escreveu um verso
Em Pilar fica inspirado,
Contemplando o universo
De Zé Lins com seu passado.

Faço um verso de repente,
De repente faço um verso;
Só pra cantar minha gente,
Meu torrão, meu universo!

Pilar terra nordestina,
Meu rubi, meu diamante;
És tão bela e pequenina,
Mas, pra nós, tu és gigante!

Pilar terra abençoada,
Melhor recanto do mundo;
És minha terra encantada
Que não esqueço um segundo.

Pilar meu torrão amado
Que Deus me deu como berço,
Quero sempre ‘stá ao seu lado,
Dedicando amor e apreço!

Oh terra da minha infância!
Da juventude também!
Faz-me sofrer a distância
Quando não ‘stou com meu bem!

Minha pequena gigante,
Oh minha terra querida!
Cantar-te-ei cada instante
Como todo amor de minh' vida.

Não trouxe um pouco de terra
Da minha terra pra mim,
Mas no meu peito se encerra
Pilar inteira, sem fim!

És a terra que prefiro,
Que Deus me deu como minha;
Como escreveu Casimiro:
“Hei de fazê-la rainha”!

Antonio Costta
Pilar (PB)


MENINO DE ENGENHO
(Poema/homenagem a José Lins do Rego)


A infância melhor
Do mundo é a que tenho,
Sou menino feliz,
Sou menino de engenho.

O Engenho Corredor
É meu palco de amor,
Pois na bagaceira
É que tem brincadeira,
Com o Moleque Ricardo
É que aposto carreira.
E é na Casa Grande
Que tem um pomar,
Que têm pés de banana,
Têm pés de cajá,
Têm pés de pitomba
E tem Zefa Cajá!...

A infância melhor
Do mundo é a que tenho,
Sou menino feliz,
Sou menino de engenho.

Tem trem apitando,
Chegando a Pilar.
Capitão Vitorino
Querendo brigar,
Tem cheia do rio
Com tudo a arrastar,
Meu avô socorrendo
O que dá pra salvar.
Tem noite estrelada,
Tem noite medonha,
Têm história contada
Pela Velha Tontônia!
E tem cangaceiros
Por todo o terreiro,
Antônio Silvino
Querendo dinheiro.

A infância melhor
Do mundo é a que tenho,
Sou menino feliz,
Sou menino de engenho.

Sou menino treloso,
Brincando na vida,
Banhando-me nas águas
Do Rio Paraíba,
Levando capim
Pro carneiro Jasmim,
Levando uma flor
Pra Zefa Cajá,
Ouvindo cantar
O meu Marechal,
Canário da terra
Mais especial.

A infância melhor
Do mundo é a que tenho,
Sou menino feliz,
Sou menino de engenho.

Mas viro Doidinho
Quando vou estudar,
Sentindo saudades
Do velho Pilar,
Da Tia Naninha
A me consolar,
Da Velha Tontônia
No engenho a contar
Histórias bonitas
Pra gente sonhar,
Do Moleque Ricardo
Querendo brincar
E dos banhos de rio
Com Zefa Cajá!

Minha infância querida
Cantar aqui venho;
Fui menino feliz,
Fui menino de engenho.

O tempo passou
Com força de enchente,
Vi-me de repente
Sendo promotor,
Mas o menino de engenho,
Lá do Corredor,
Não quis me deixar,
Com saudade, sem par,
Lembrei meu avô,
Tornei-me escritor,
Cantei meu lugar!

Minha infância querida
Cantar aqui venho;
Fui menino feliz,
Fui menino de engenho.

Antonio Costta
Pilar (PB)



AVENTURAS DA INFÂNCIA

Eu saía pela Chã de Areia afora
Procurando um troféu, uma colmeia,
Não faltava uma aventura, uma ideia,
Na minha infância que relembro agora.

Pescar de jereré a qualquer hora,
Pegar um passarinho de alçapão;
Fazer de tábua e lata um caminhão,
Um carrinho de corrida e ir embora!

Tomar banho de rio e de cascata,
Ir caçar passarinho pela mata:
Armando uma arapuca pro nambu.

Fazer tudo que desse em nossa telha,
Esfumaçar a casa das abelhas
Pra colher o puro mel de uruçu!

Antonio Costta

Pilar (PB)

RECORDAÇÕES DA INFÂNCIA

Buscar água escanchado num jumento
Conduzindo incuretas nos cambitos;
Ouvindo o som das vacas, dos cabritos,
Dos nhambus que ecoavam pelo vento!...

Elegias que guardo no pensamento:
Ouvir a minha avó cantar benditos,
Ouvir de meu avô antigos ditos,
Anedotas e histórias de relento...

Fisgar peixes no açude ou lá no rio,
Tomar banho de chuva, sem ter frio...
Emoção que inda guardo. Indescritível...

Comer jaca no pé, manga e cajá,
Na fogueira assar milho com sinhá...
— Minha infância assim foi inesquecível!

Antonio Costta
Pilar (PB)




DA TRIBUNA DA POESIA


Da Tribuna da Poesia
Faço versos, cantoria,
(Mesmo sem saber cantar)
Somente pra te exaltar,
Para espalhar teus encantos
Aqui, e em outros recantos,
Oh meu amado Pilar!

Da Tribuna da Poesia
Canto com gran valentia
A dor sentida do povo,
O sonho de paz, de renovo,
A esperança contida
Num olhar d’uma criança
E a força que não se cansa
Da juventude na lida!...

Da Tribuna da Poesia
Canto de noite e de dia,
De forma simples, concreta,
O desejo de poeta
Que é viver para cantar!
Cantar a terra, o meu povo,
E depois cantar de novo
O meu amado Pilar!

Antonio Costta
Pilar (PB)


DE PILAR

De Pilar trago canções,
Trago motes, cantorias,
Trago muitas emoções
Que impactaram meus dias,
Trago mil recordações
Que me inspiram poesias!

De Pilar trago meu canto,
Que de meu peito desata
O brilho dos pirilampos,
A voz do rio, das cascatas,
As flores todas dos campos
E os perfumes das matas!

De Pilar trago meu jeito
De ser poeta-menino,
Poeta que traz no peito
O badalar de um sino,
Que só badala de jeito
Quan’ de Pilar me aproximo!

De Pilar trago a saudade
De meu tempo de criança,
De meus pais, de Solidade,
Que não me sai da lembrança.
Morando em Chã de Areia,
Lugar de paz, de esperança!

De Pilar trago as leituras
De José Lins, escritor,
Contando suas aventuras
No Engenho Corredor,
Colocando a nossa história
Num lugar de resplendor!

De Pilar trago o repente
De Chudu, com sua viola,
Tirando versos, contente,
De dentro de sua cachola,
Versos que inda ‘stão presentes
E a nossa terra consola!

De Pilar trago meu sonho
De mudar minha cidade,
Embora o mundo medonho,
Cheio de incredulidade,
Ignore o que proponho:
Paz, amor, fraternidade.

De Pilar trago o desejo
De dá orgulho ao meu povo.
De ser poeta, sem pejo,
De ser u’a luz de renovo,
Cantando a terra que vejo,
Sonhando co'um tempo novo!

Antonio Costta
Pilar (PB)



CONTEMPLAR PILAR

Quero contemplar o dia
Nascendo no meu torrão,
Trazendo paz, harmonia,
Pra dentro do coração.

Eu quero sentir o cheiro
Das flores todas do campo;
Tomar meu banho primeiro
De sol, de chuva, de encanto.

Quero contemplar as flores
Desabrochando pra festa;
Quero sentir seus olores
Ouvindo o som da floresta.

Quero contemplar a chuva
Trazendo pra terra a vida;
Trazendo enchente pros rios,
Para o Una e pro Paraíba!

Quero comer tanajura,
Qual no tempo de criança,
Quero viver vida pura,
Co’ os olhos cheio de’sperança.

Quero pegar as cigarras
E os vaga-lumes co’ a mão;
E quero dormir tranqüilo
Ouvindo o cantar do grilo
Oculto na imensidão.

Pois quero, enquanto viver,
O meu torrão contemplar,
E ouvir meu coração bater:
Pi-lar, Pi-lar, Pi-lar!...

Antonio Costta

(Pilar-PB)



HINO OFICIAL DE PILAR- cantado por José Cosmo de Souza

HINO OFICIAL DE PILAR - cantado por Jordânia Borges